Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A pressa

Sinto antes
a urgência
do dia seguinte
seguindo
em textos longos
de choro preso
na palma da mão.



Ígor Andrade

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Acabamento

A madrugada é minha oficina
onde cada segundo bate
o martelo pesado
de tempo perdido
de tempo vivido
e machucado por nada.

Trabalho no escuro
as formas
de uma peça-vida
que não quero terminar
nunca.



Ígor Andrade

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Sem acordo

Acordei e não quero falar
acordei pra discordar
acordei sem acordar.

Hoje será o dia que não acordei
na confusão de em ninguém confiar.

Tanta misantropia
tanta miopia
até nublado acordou o dia.

Cansei de tanta coisa.
Cansei de me cansar.
Cansei do ócio, do óbvio
e de estar cheio
e com fome.
Cansei da dieta
que tudo seja
com tanta soja.

É... eu não estou bem
eu não estava bem antes
e nem sei se acordei.

Acorde descoordenado
da harmonia
que pra trás deixei.



Ígor Andrade

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Invisível?

Procuro um herói hoje
que não foi meu pai ontem
e que não serei eu amanhã.
Um herói de todos os tempos
que não existe.
Por isso procuro.



Ígor Andrade

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Suporte

A mídia é média
e a média é um meio
de medir o medo
de não ser
outra coisa
senão metade
senão o pouco
que a mídia
ou a média
te fazem.



Ígor Andrade

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Há ser teu

Vazio de vento frio
é quando tudo pára
até que apenas eu volte.
Volte no tempo
volte no próprio vento
volte a ser eu
volte a ser teu.



Ígor Andrade

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Ver-de perto

Tudo fora
é tudo quase
do não
ou do nada
que tem um fim.
E no final
é o que somos:
fantasia fantasiada de sensatez.



Ígor Andrade

(escrito depois de ler este poema, do blog de minha amiga: http://rangonamadrugada.blogger.com.br/)

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

A volta escrita na estrada

Vou na volta
de casa pra casa
da praia pra cidade
(e nem vi o mar)
da tarde pra noite
do perto pra longe
vagando em chuvisco
chovendo nos olhos
vago, vazio, altívago, tardio
entardecendo o que não tenho
e não vou só
vaga-lumes
vagas lembranças
vagões de desejos
bendita estrada que dita
uma volta
e outra.



Ígor Andrade

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Ainda voa, Dona Iride. (Um poema de luto.)

Borboleta azul
borda a letra anil
no céu da solidão
no sol que não se viu.

Falta uma asa!



Ígor Andrade

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O temporal da não viagem

O vento grita
na minha janela entreaberta
e meu quarto fechado
silencia o meu mal estar.

Estar
em algum lugar
(que não seja esse)
era o que eu queria agora
querer é a questão
ficar aqui
ou ir embora.



Ígor Andrade

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Chão

Pedaço do eu
no meio do chão
que seca no seco
que cega razão.

Chão.

Pedaço que piso
no meio do não
que é quase tudo
coração na mão.


Ígor Andrade

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Céu

Tenho me sentido
(sem ter tido)
pássaro sem asas
e continuo voando
porque acredito.


Ígor Andrade

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Domingo, 7 de Junho de 2009

Processando a trama

Computador é tela fria
com muita dor a teia espia
a aranha longe
arranha saudade.

Desculpas cheias de pernas
caminham pelos cantos
de paredes
que não quero enxergar.



Ígor Andrade

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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Alta

A vida banha
minhas memórias
de tempo
e seca
minhas loucuras
de falta.



Ígor Andrade

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Ma belle inconnue

Minha bela
desconhecida.
Conheci algo
que não é meu.

O que era belo
e adormecido
nasceu dela
e feneceu.



Ígor Andrade

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Domingo, 31 de Maio de 2009

Não outro

O domingo me empurra
para o mesmo
e eu mesmo
não sou o mesmo.
Não sei o que é esse mesmo
senão um domingo diferente
mas com a mesma cara
da minha mesmice qualquer.



Ígor Andrade

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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Meu mar

A madrugada
pisca pra mim.

Lua cheia
de eu vazio.
Pesco um fim.


Ígor Andrade

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Mata dor


Acordo...
com o olhar calmo
de um assassino.

Estou frio
como o tempo molhado
e rio.

O sol, que eu cego, não vi
já se foi
com o meu calor.

A rua vazia provoca
cores no escuro
dentro de mim.

Parece que estou morto
sobre a terra que vai acabar.
Ou acabou.

Espero que a calma permaneça
mas, acima de tudo
que algo nasça e cresça
e que eu não mate ninguém.



Ígor Andrade

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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Senso íntimo


Me desculpo com a razão
sempre que entardeço.

Triste não é viver
nem saber que se morre
a cada hora.
Triste e longe
é ter a consciência
que meus sonhos
também anoitecem.



Ígor Andrade

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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Vinte e oito


Desejo pra mim...

Mais paciência no ser
enquanto o quando não vem.
Menos um mundo e menos ter
meio passo de sentir um quem.

Mais beleza e leitura
riscos e sorrisos
fins e inícios
leveza e altura.

Mais percepção no que é à toa
e alguma momentânea surdez.
Vida minha que não anda, voa
flutua lisa em um certo talvez.

Mais sabedoria na tristeza
e ignorância na felicidade.
Amar, o mar.
O mar, amar.
Simplicidade.

Mais
unir
versos
nos detalhes e nas diferenças.
Punir
o que não peço.
Discutir todas as descrenças.

O peso do nada que já tenho
apenas no tudo mais, viver
poesia e consequência
pó do dia, consciência
por uma noite, crescer.




Ígor Andrade

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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Despedida


Perdi tanta coisa
por deixar a porta aberta
mas existe uma janela
entre tudo
e uma descoberta.

A partir de hoje
no ontem que some
deixei de ser gente
deixei de ser homem
me tornei um poeta.



Ígor Andrade

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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Alicerces

Lá fora
o barulho da obra de uma construção
o silêncio de uma obra desconstruindo
aqui dentro.



Ígor Andrade

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